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quarta-feira

ideia quinze

O que muita gente não perdoa a José Sócrates é que, não passando de um provinciano, se arrogue a ousadia de se fazer passar por uma pessoa cosmopolita, informada, polida e que, ainda por cima, tenha sido um político de sucesso (afinal foi eleito duas vezes). E que, como dizia um dia destes a Maria Filomena Mónica na SIC Notícias, tenha ido para Paris estudar Filosofia. "Filosofia? Ele devia era ter voltado para a Covilhã", de onde nunca devia ter saído. Estudar no estrangeiro deveria ser para pessoas como ela, que esteve a estudar em Londres, de extração burguesa lisboeta, agora um pelintra que apanhou o elevador social das berças para Lisboa em vez do comboio da linha da Beira Baixa.

O mesmo pensará MFM, e pessoas iguais a ela, de pessoas como Cavaco Silva, que têm uma origem semelhante. Só que Cavaco Silva, que para elas será sempre para elas o homem de Boliqueime ou o filho do gasolineiro, não pedala para pertencer às elites, não é sofisticado nem veste fatos Armani, é o que é e não aspira a mais do que complicar a vida ao PSD nos intervalos da sua magistratura confusa e bamboleante.
O ódio que esta gente tem a Sócrates é do domínio do demencial, do patológico; a argumentação, mesmo que razoável, que esgrimem contra as suas políticas, é completamente submergida por essa raiva histérica e intolerante. 
Não há pachorra para os ouvir. A frase assassina referida foi a primeira intervenção de MFM no dito programa televisivo - saí da sala onde estava a televisão.

sábado

ideia catorze

Ana Macedo, artista plástica filha de Jorge Braga de Macedo, fez três exposições, duas em Lisboa e uma em Maputo, financiadas pelo Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT), cujo presidente do Conselho Diretivo é o seu pai, segundo Daniel Oliveira escreveu numa crónica no jornal Expresso. Ana Macedo dispõe ainda de um ateliê nas instalações do IITC. 
Ou seja, um pai apoia a carreira artística de uma filha utilizando um cargo e dinheiros públicos. Até aqui, tudo normal para Portugal - quem se espanta?
Acontece que Braga de Macedo foi nomeado para o Conselho Geral da EDP, que tem investido nas artes plásticas, nomeadamente através da concessão de prémios, como o Grande Prémio EDP, que distingue artistas plásticos portugueses consagrados e o Prémio EDP Novos Artistas, que distingue valores emergentes da arte contemporânea portuguesa, para além de apoiar iniciativas diversas no campo das artes plásticas. Será que um dia destes poderemos visitar no topo do Museu da Electricidade o novo e espaçoso ateliê de Ana Macedo? E ver o anúncio de uma exposição da artista numa galeria perto de si, apoiada pela EDP? Ou mesmo no próprio Museu da Electricidade? Quem se espantaria?
O meu sobressalto veio quando vi fotografias da exposição em Maputo e a descrição da apresentação da mesma exposição em Lisboa. Sobre as fotos das obras, só consigo  dizer que a arte contemporânea não é propriamente a arte que se faz nos nossos dias, ou seja, vou ali e já venho; sobre a notícia, enfim, dispenso-me de comentar, parece uma coisa de agremiação de bairro passada a meio do século passado, tipo A Canção de Lisboa. Afinal, tudo normal para Portugal.

Esta gente não terá um pingo de decência?  

(os links também são da crónica do Daniel Oliveira)

domingo

ideia onze

É insuportável ver os ministros, secretários de estado e outras figuras avulsas com badges da bandeira de Portugal na lapela. Lembro-me de que, há alguns anos, durante os governos de Durão Barroso e Santana Lopes, os ofícios da Função Pública, internos e externos,tinham as palavras Portugal em Acção por cima de uma bandeirinha desfraldada ao vento. Recuando mais no tempo, até meados dos anos setenta do século vinte, os ofícios, circulares e cartas oficiais e oficiosas do Estado terminavam com uma frase: A Bem da Nação.
Esta espécie de sintonia talvez não tenha uma conotação política mas sim cultural. Mas não deixa de ser intrigante. E lamentável: o que levará esta gente a proclamar e a pavonear o seu patriotismo? Que tipo de pessoas é que quererão sensibilizar, impressionar, tocar? Os jovens que aconselham a emigrar? A classe média que estão a espoliar? Os saudosistas de todos os passados? Ou será apenas puro exibicionismo entre iguais, do género eu-também-pertenço-ao-clube?

sábado

ideia oito

Alguém quer saber se Fernando Nobre pertence à Maçonaria, se vai ou não à missa, o que pensa ou o que diz? Não percebe que já passou à história?
Esta gente não se enxerga?